quarta-feira, 24 de junho de 2026

*-CER IV entrega aparelhos auditivos e devolve autonomia e qualidade de vida a pacientes com perda auditiva*


_Ao todo, 30 pacientes do CER IV de Parnaíba receberam os novos aparelhos auditivos, recuperando a dignidade e a conexão com os familiares e o dia a dia_

A emoção tomou conta de Maria da Paixão Souza Rocha, que, aos 70 anos, voltou a ouvir sons que haviam se tornado apenas lembranças. Ela é um dos pacientes do Centro Especializado em Reabilitação IV (CER IV), em Parnaíba, a receber aparelhos auditivos.

Devolver a capacidade de ouvir representa muito mais do que um ganho funcional. Somente nesta etapa, o CER IV, gerido pelo Instituto Saúde e Cidadania (ISAC), com apoio da Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi), realizou a entrega de 30 aparelhos auditivos, proporcionando mais autonomia, inclusão social e qualidade de vida aos usuários atendidos pelo serviço.

“Quando uma pessoa volta a escutar a voz dos filhos, dos netos, consegue participar das conversas e retomar atividades simples do cotidiano, estamos promovendo dignidade, autonomia e inclusão. Esse é o nosso compromisso: cuidar das pessoas de forma integral e humanizada”, afirma Paulo Rangel, diretor do CER IV.

Por muitos anos, Maria conviveu com a perda auditiva e enfrentou dificuldades para acompanhar conversas, compreender os familiares e participar plenamente dos momentos do dia a dia. Antes de receber o dispositivo, ela passou por uma série de avaliações e exames especializados que permitiram identificar suas reais necessidades auditivas.

A história de superação é compartilhada por Bernardo Oliveira, de 74 anos, morador da localidade Baixa do Longá, em Buriti dos Lopes. Após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC), ele também passou a conviver com dificuldades auditivas que impactaram diretamente sua comunicação e qualidade de vida.

Bernardo conta que, por não conseguir ouvir bem, muitas vezes foi alvo de brincadeiras e comentários em tom de deboche. Situações que, apesar de enfrentadas com serenidade, acabavam causando desconforto e reforçando o sentimento de isolamento. Agora, com o novo aparelho auditivo, diz preferir encarar a situação com bom humor.

“Agora sou eu que vou tirar onda com eles. Esse aparelho é moderno demais, quase ninguém percebe que estou usando”, brincou Bernardo, feliz por recuperar a capacidade de ouvir e voltar a participar das conversas com mais segurança e autonomia.

*Do encaminhamento à adaptação, cuidado em cada etapa*

O acesso ao serviço de saúde auditiva do CER IV começa ainda na Atenção Primária. O paciente é encaminhado pela Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência e, ao chegar ao centro especializado, inicia um percurso de avaliação conduzido por uma equipe multiprofissional.

A fonoaudióloga Iarly Castro explica que a primeira etapa consiste na consulta com o médico otorrinolaringologista, responsável por avaliar as condições do ouvido e identificar possíveis obstruções por cerume, processos infecciosos ou outras alterações que possam interferir na audição.

Em seguida, o paciente é encaminhado para a avaliação audiológica, que pode incluir exames como a audiometria ou o Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico (BERA), conforme a necessidade de cada caso.

“Essas avaliações permitem identificar o tipo e o grau da perda auditiva, além de mensurar os impactos que pode causar na comunicação e na qualidade de vida do paciente. Também realizamos a pré-moldagem das orelhas, etapa importante para a confecção dos moldes que serão acoplados aos aparelhos auditivos quando houver indicação”, explica.

Com a chegada das próteses auditivas, os usuários retornam ao CER IV para a fase de adaptação. Nesse momento, a fonoaudióloga realiza a programação dos aparelhos, orienta sobre o uso correto, os cuidados necessários e agenda um retorno após aproximadamente 15 dias de utilização para avaliar o desempenho, esclarecer dúvidas e realizar ajustes, caso sejam necessários.

“Tudo é feito com muito cuidado e carinho, desde a avaliação audiológica até o momento da entrega do aparelho. Nosso objetivo é garantir que cada paciente tenha acesso ao recurso mais adequado para favorecer sua comunicação e participação social”, conclui Iarly.